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A Doutrina Cristã examinada - Capítulo 1

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A doutrina da Igreja Cristã examinada à luz da Palavra

Rev. C. R. Nobre

 

  Introdução

Dizemos aqui "doutrina da Igreja cristã", de um modo geral, e entende-se tanto a doutrina da Igreja Católica Romana como a de todas as Igrejas reformadas ou Evangélicas, também chamadas de "protestantes".

Se são tomadas aqui em conjunto, é porque essas Igrejas, por mais diferentes que pareçam umas das outras, têm os mesmos pontos fundamentais em suas doutrinas, compartilhando das mesmas idéias sobre a Trindade Divina como uma trindade de pessoas, sobre a justificação, sobre a transferência do merecimento de Cristo ao pecador e sobre vários outros dogmas secundários.

Os aspectos essenciais dessas crenças serão examinados aqui, um a um, e comparados com ensinamentos claros das Escrituras Santas. Tomaremos, em primeiro lugar, a idéia cristã sobre a Trindade.

Capítulo 1 - A crença cristã é que existem três pessoas Divinas na Trindade

Segundo a teologia do todo o cristianismo, há três pessoas Divinas distintas que constituem a "Santíssima Trindade": uma é pessoa do Pai, outra a pessoa do Filho e outra a pessoa do Espírito Santo. Acredita-se que cada uma dessas pessoas é Divina, cada uma delas é em si mesma Deus. Como são três pessoas e são distintas entre si, tem-se aí, como conseqüência inegável, a fé em três deuses: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo..

Uma tal crença em três pessoas Divinas ou três deuses é ensinada dos púlpitos das Igrejas e das cátedras dos seminários como tendo origem e base na Bíblia. Para o confirmar, são aludidas inúmeras passagens do Antigo e Novo Testamentos, as quais, aparentemente, ensinam semelhante idéia. Mas essa fé em três deuses, além de ser contra o senso comum, é inteiramente estranha às Sagradas Escrituras. E sendo assim, é, portanto, uma heresia, a qual cumpre expor e combater, o que procuraremos fazer neste artigo.

Cumpre-nos ressaltar que o intuito da exposição dessa heresia cristã não é o de ofender pessoas que professem tal crença. Muito pelo contrário, procuramos ajudá-las a compreender que esse é um erro de interpretação da Palavra de Deus. Esse erro tornou a fé cristã numa persuasão obscura a respeito de uma Trindade incompreensível, porquanto não se compreende como três podem ser um. Assim, o que o Senhor prometeu ser ensinamento claro e aberto, tornou-se em mistério impenetrável, introduzindo o erro sobre todos os demais pontos doutrinais. Nosso sincero desejo é que o cristão liberte sua mente dessa heresia e adquira a noção justa sobre Deus como é uma Única Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, conforme nos ensinam as Escrituras Santas.

O Concílio de Nicéia, origem da crença em três deuses

A crença na trindade de pessoas Divinas não teve origem na Bíblia, mas no Concílio ou Sínodo de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico da história, do qual participaram 318 bispos, no ano 325 da era cristã.

Leiamos um relato histórico desse evento: "Quanto ao que concerne a este Sínodo de Nicéia, o Imperador Constantino, o Grande, por persuasão de Alexandre, bispo de Alexandria, o reuniu em seu palácio de Nicéia, cidade da Bitínia, depois de ter convocado todos os bispos da Ásia, da África e da Europa, para combater e condenar, de acordo com a Escritura Santa, a heresia de Arius, um padre de Alexandria que negava a Divindade de Jesus Cristo (...)

"Os bispos convocados concluíram que houve de toda a eternidade três Pessoas Divinas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, conforme se pode ver principalmente pelos dois Credos, chamados Credo de Nicéia e Credo de Atanásio. No Credo de Nicéia lê-se:

'Creio em um único Deus e Pai Onipotente, que fez o Céu e a Terra; e em um único Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, unigênito do Pai, nascido antes de todos os séculos, Deus de Deus, consubstancial com o Pai, que desceu dos Céus, e foi encarnado do Espírito Santo pela Virgem Maria; e no Espírito Santo, Senhor e Vivificante, que procede do Pai e do Filho, que é adorado e glorificado com o Pai e o Filho'.

"No Credo de Atanásio estão estas palavras:

'A Fé católica [universal] é que veneramos um único Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas e sem separar a substância' (...)

'Outra é a Pessoa do Pai, outra a Pessoa do Filho, e outra a Pessoa do Espírito Santo' (...)

'O Pai é Deus e Senhor, o Filho é Deus e Senhor, e o Espírito Santo é Deus e Senhor' (...)

'Mas, assim como somos forçados pela verdade cristã a confessar cada Pessoa Deus e Senhor em particular, do mesmo modo somos impedidos pela religião católica [universal] de dizer três Deuses ou três Senhores".

"Quer dizer que é permitido confessar três Deuses e três Senhores, mas que é proibido dizer, e isso porque a religião proíbe um, enquanto a verdade dita o outro.

"Este Credo de Atanásio foi composto imediatamente depois de efetuado o Concílio de Nicéia, por um ou vários dos que tinham assistido a esse Concílio, e foi também aceito como ecumênico ou católico. Por isso, é evidente que então foi decretado que se deve reconhecer três pessoas Divinas de toda eternidade, e que, ainda que cada Pessoa em particular seja Deus por ela mesma; não obstante é preciso dizer, não três Deuses nem três Senhores, mas Um Só" (Verdadeira Religião Cristã 632, Exposição Sumária 31).

"Uma trindade de pessoas Divinas, isto é, trindade de Deuses, é contr&ade de pessoas Divinas, isto é, trindade de Deuses, é contrária à razão esclarecida. Pois "qual é o homem, com uma razão sã, que pode ouvir que três Deuses criaram o mundo, ou pode ouvir dizer que a criação e a conservação, a redenção e a salvação, a reforma e a regeneração, são obras de três Deuses, e não de um só Deus? E, reciprocamente, qual é o homem, com uma razão sã, que não queira ouvir dizer que o Deus que nos criou também nos resgatou, nos regenera e nos salva?" (2)

A Igreja reformada conservou o credo formulado em Nicéia

Quando veio a época da Reforma, os principais líderes (Lutero, Melancton e Calvino), embora tenham combatido muitos pontos doutrinais e práticas da religião de Roma, não examinaram, entretanto, esse dogma niceano, e o mantiveram como base de sua fé. Assim, a mesma crença em três deuses existe em todas as Igrejas derivadas da Reforma, a saber, todas as Igrejas evangélicas de hoje.

É em conseqüência disso que toda a teologia de todas as religiões cristãs de hoje de hoje se funda na concepção de três deuses. Por causa da unanimidade de crença sobre Deus é que todo o cristianismo compartilha a mesma doutrina sobre a justificação, o principal de todos os doutrinais cristãos.

Segundo a doutrina da justificação, Deus Pai estava encolerizado com a raça humana, que se desviara de Suas leis. Mas, para que toda a raça não fosse condenada a castigo eterno, o Deus Filho ofereceu-Se em sacrifício ao Deus Pai para, com o derramamento de Seu sangue, resgatar e salvar os homens. Mediante esse gesto, Deus Pai consentiu que o Deus Filho viesse ao mundo e fosse imolado, aplacando, com sangue, a ira Divina do Pai.

Também se crêc; que o Espírito Santo é dado por Deus Pai a fim de eleger aqueles que podem ser alcançados por essa graça do preço pago no sacrifício da cruz.

Por causa desse sacrifício do Filho, toda criatura humana tem de se reportar a Deus sempre lembrando-O de que o preço já foi pago pelo Filho, e por isso, nas orações, ajuntam sempre o emblema desse ato, na frase "Em nome de Jesus", senha para que se tenha acesso ao favor de Deus Pai, sem a qual Ele não atende.

Quando ouvimos toda essa doutrina, chamada de "plano da salvação", não há como não entrar em nossas mentes a idéia de três pessoas Divinas bem destacadas uma da outra, tão didistintas entre si que uma chega a ser mais misericordiosa que a outra, e essa mais severa e menos paciente que aquela.

Assim, confirma-se que não há somente um, mas três deuses no pensamento e na fé cristã. E todo o "plano" da salvação está estruturado na idéia de três seres diferentes e Divinos.

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